Diário de Bordo – Aventuras no Deserto
Estou de
volta! Como se passaram muitos dias da viagem da minha mãe e da minha prima
para Paris e Oman, resolvi pular esse capítulo e atualizar para os dias de
hoje.
Nesse último fim de semana, fomos acampar no Deserto. Se
alguém tiver interesse em visitar o site, o link é http://www.1000nightscamp.com/services.html.
Quando vi o nome 1000 noites e não 1001, já
logo imaginei que essa uma seria aquela noite que passaria lá sem dormir, com
medo de cobras e escorpiões. No vídeo, mostra uma carne de cordeiro, que eles
enterram e te servem dias depois. O Henrique e a Isabela já haviam comido no
Discovery Oman, eu nem me atrevo.
Fomos em 4 carros 4 X 4, mais conhecidos como
Popopó. A preocupação de todos era em levar e manter a cerveja gelada e para
isso não poupamos esforços. Nossa bagagem era praticamente de coolers. (O
Evanildo achou ruim comigo, embora eu tenha cumprido a meta. Ele pediu que eu
gelasse mais 2 caixas de cerveja de latão. E como outro dia ele foi comprar uma geladeira só para cerveja
que eu tinha pedido e acabou comprando uma TV de 50 polegadas, eu tive que
fazer milagre. Como nossa geladeira não comporta tudo isso, mais a comida, a medida que a cerveja ia gelando, eu ia
tomando para poder colocar uma quente no lugar, até completar as 2 caixas. Não
sei porque ele não gostou muito da idéia). Minha sorte é que até sobrou cerveja;
poucas, é verdade.
Saímos na manhã de 5ª feira . A Isabela em
certo ponto da viagem, comentou como era triste ver uma rodovia cortando as
dunas ao meio. O Evanildo diminuiu a
velocidade e ficou olhando para os lados procurando. Aí a Isabela disse: - Pai,
a rodovia é essa que vc esta andando nela. Tivemos crise de riso, ele até que
não achou muita graça.
Paramos umas horas depois quando terminou o
asfalto para esvaziar um pouco os pneus e entrar nas dunas. Qual não foi minha
surpresa, quando o moço que esvaziava os pneus sorriu para mim e logo o
reconheci. Era o Brutus. Sim, aquele do Popeye. Vejam-o na foto com sua
família.
Fomos 37 kms pelas trilhas, vendo paisagens
com camelos e muito lixo. A educação ambiental aqui passou longe.
No caminho fomos testando se a cerveja estava
no ponto. Chegamos lá e nos deram um chaveiro sem a chave, apenas com um
número. Aí perguntei pela chave e meu amigo Fábio respondeu que era porta
magnética, bastava passar o chaveiro. Ai foi a vez do Evanildo morrer de rir e
se sentir vingado. A porta da tenda era só um pano, com um gancho pendurado que
vc espetava em qualquer lugar para fechar. Chegando na tenda, logo que entrei,
já suava com medo de encontrar algum ser rastejante, entrei e perdi o ar. Fazia
uns 50º lá dentro. Ai sai feito uma flecha e disse para o Fábio, como aqui esta
quente. Ele disse tem um interruptor aí, basta ligar o ar condicionado. Entrei
e o Henrique ligou os interruptores e só acendeu a luz. Sai da barraca e então
o Fábio perguntou se queria trocar de barraca com ele que o ar dele estava
funcionando. Ai de novo foi outra gozação, porque só então me dei conta que
estava mesmo nas terras de Alá. Me senti a mais loura das louras.
Fomos obrigados então a trocar de roupa e ir
para a piscina. Chegando lá, colocamos todos os coolers na sombra e já
iniciamos os trabalhos. Os gringays em volta estavam pasmos com tanta cerveja e
tira gosto. Acho que nunca tinham visto uma cena dessa no deserto. A uma certa
altura, os aventureiros resolveram sair para fazer rallye pelas dunas. Eu
fiquei tomando conta dos coolers e fazendo companhia para a Gisele que está
grávida. Aí chegou uma família e o rapaz perguntou se aqueles coolers eram o oferecido grátis pelo camping. Dissemos que
não, que era para consumo próprio e o cara ficou o resto do dia nos rodeando e
nos olhando como se fossemos ET’s.
O Henrique saiu de fininho e foi com eles para
as dunas. Quando chegaram, todos vieram me contar que o Henrique estava justo
no carro do Nicácio e que este ficou pendurado por uma roda só. Coração de mãe
sofre!
A Isabela estava o tempo todo com a Ingrid, só
mudando de lugar e dormindo. As duas vieram da gandaia do aniversário da amiga
na noite anterior e estavam igual gatinho de armazém.
Veio a noite e com ela o jantar. Expectativa
geral. Mas até que a comida estava bem saborosa. Acho que essa é a única hora
que o brasileiro consegue ficar calado.
Voltamos para a piscina e continuamos a tomar
todas. Alguns se perderam entre as almofadas do restaurante, capotaram e não
conseguiram nos acompanhar mais.
Às 23h o rapaz veio nos avisar de que todas as
luzes seriam apagadas, inclusive a dos quartos. A Isabela já estava dormindo
como uma anjo folgado e roubou nossa cama de casal.
Eu com muito medo de bichos, (só aceitava os
rastejantes que estavam bêbados), comecei a garimpar pessoas para passar a
noite acordados comigo na piscina, e para minha surpresa consegui vários
adeptos. De repente, venho caminhando na nossa direção uma luzinha vermelha. Ai
aparece do nada uma voz que dizia assim: - Olá! Eu odeio escorpiões, eu vim
procurar escorpiões. Podem ficar a vontade, não encontrei nenhum aqui por
perto. Essa é a última noite de vcs aqui no deserto. E sentou-se do outro lado
da piscina, com uma coisa preta na mão, que depois viemos a descobrir que era
uma garrafa de vodca dentro de um saco preto. O Evanildo logo tratou de juntar
os coolers e proteger as cervejas. Começaram então a especular quem era o
inimigo.
Ele perguntou de onde a gente era e o Evanildo
disse que éramos todos argentinos, embora o Fernando estivesse com a camisa do
Brasil.
Cada vez que eu tirava fotos aleatórias no
escuro, O Fábio que já foi do alto comando do exercito me xingava e dizia que o
flash fazia com que o inimigo nos visse. Cada um tinha uma suspeita diferente.
Uns diziam que era zumbi, outros que era um assaltante e quanto mais o álcool
descia goela abaixo, mas a imaginação tomava conta da mente dos tontos.
Aí o “Red Light Ghost”, começou a se comunicar
com uma luzinha que piscava e ficava vermelha e branca, do outro lado da cerca,
dentro de um carro ligado. Chegaram a conclusão de que esses caras estavam ali
para dar uma limpa geral e aí o pânico tomou conta de todos, achando que a
primeira limpa deles seria a nossa cerveja. Lembrei que a Isabela estava
sozinha e que a nossa tenda era a primeira perto da cerca. Resolvi descer para
a tenda com o Henrique. Já estava bem frio, fazia 14º. O bom de tomar todas, é
que a gente esquece os medos e acabei dormindo, não sei se com ou sem bichos do
meu lado. Acordei as 7 da manhã e só então vim a saber do resto da história.
O pessoal ficou por ali vigiando a cerveja e
com medo de que eles descobrissem aonde eram as barracas. O cara despediu e
saiu.
Então eles resolveram ir na portaria sondar
quem era o tal “Ailan”. Mas não tinha ninguém trabalhando mais, estava tudo
aberto e abandonado.
Quando o Evanildo viu o cara de novo, mas
dessa vez próximo ao cooler, saiu correndo, pulou a cerca e ele estava com uma
lanterna super potente que acionou e quase cegou o sujeito e com uma faca na mão. O cara quase morreu de susto
e resolveu contar a sua história.
Se tratava de um beduíno, que tinha estudado
em Londres e portanto falava inglês muito bem e que parecia estar chapado.
Disse que era guia turístico autônomo e que estava ali com dois grupos. Que o
amigo dele dormia no carro e eles se comunicavam através da luz e do rádio. Ele
iria dormir ali na piscina. Depois de um tempo, eles carregaram os coolers para
a barraca do Tomaz e foram dormir. No outro dia ninguém mais viu o cara, que
evaporou na noite. De acordo com as más línguas, ele era um guia que trabalhou
naquele acampamento há anos atrás, que já havia morrido e virara zumbi e agora
perturbava o sossego dos bebuns que insistiam em ficar acordados madrugada
adentro.
No café da manhã só se falava sobre o tal “Red
Light Ghost”.
Voltamos para a piscina, para continuar o 2º
tempo. Perto do meio dia, alguns doidos resolveram fazer “esquibunda”, entre
eles, a Isabela, que para minha surpresa, estava lá. Subiram uma duna super
alta. Dois dos 4 desistiram. O André estava de chinelo, ia embora naquela
madrugada para a Suíça, e seu pé estava cheio de bolhas.
Fiquei orgulhosa da Isabela e também cansada
só de ver ela carregando aquela prancha pesada, no escaldante sol do deserto.
Então viemos embora. Os aventureiros (quase
todos), ainda saíram de lá e foram para um Wadi e depois para o Sink Hole, uma
hora a mais. Eu, Evanildo e os meninos, fomos para a casa do João e da Ivaneide
fazer um churrasquinho final da tarde.
Nos divertimos muito e não foi dessa vez ainda
que ganhei a carteirinha permanente de Programa de Índio da FUNAI.
قد يكون الله معكم
(Que Alá esteja com vocês)




